Dirijo-me a vós não apenas com a autoridade que me foi confiada, mas sobretudo com o peso da responsabilidade diante de Deus e da Igreja. O momento exige clareza, firmeza e, acima de tudo, verdade.
Com pesar, constato que não são poucos aqueles que têm negligenciado os deveres próprios do ministério sacerdotal. O sacerdócio não é uma ocupação qualquer, tampouco um título honorífico: é uma entrega total, um sacrifício cotidiano, uma configuração real a Cristo, Bom Pastor. Quando essa consciência se perde, perde-se também o sentido da missão.
Há entre vós uma preocupante relaxação no cumprimento das obrigações mais básicas: celebrações realizadas sem o devido zelo, compromissos pastorais tratados com indiferença e uma visível falta de ardor apostólico. Isso é inadmissível. O povo de Deus não pode ser privado do cuidado diligente daqueles que foram constituídos para servi-lo.
Ainda mais grave é o modo como alguns se dirigem aos fiéis e aos próprios irmãos no sacerdócio. A arrogância, a dureza e a ignorância no falar não condizem com aquele que foi ungido para ser sinal da caridade de Cristo. A palavra do sacerdote deve edificar, consolar e orientar jamais ferir por imprudência ou desprezo.
Pergunto-vos com seriedade: onde está o espírito de caridade? Onde está a disciplina interior que sustenta a dignidade do vosso ministério? Onde está o temor de Deus que deve guiar cada gesto e cada palavra?
Exorto-vos, portanto, com firmeza: retomai com urgência o caminho da fidelidade. Redescobri o valor da oração, da celebração digna dos sacramentos, do estudo e da caridade pastoral. Corrigi o vosso modo de falar e de agir, pois aquele que não sabe conduzir com mansidão também não sabe verdadeiramente pastorear.
Não permitais que a mediocridade se instale onde deveria brilhar a santidade. O povo que vos foi confiado merece pastores segundo o coração de Cristo, não funcionários cansados ou líderes autoritários.
Que esta exortação não seja recebida com resistência, mas como um chamado sério à conversão e ao retorno à essência do vosso sacerdócio.
Com firme esperança de mudança e renovação, concedo-vos minha bênção e aguardo frutos concretos de vossa fidelidade.
Dado e Passado em Brasília, na sede da Nunciatura Apostólica,
aos 15 dias do mês de Abril no ano de 2026
+ Angelo Roncalli
Núncio Apostólico para o Brasil
+ Card. Marini
Pro-Núncio
Secretário

0 Comentários